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Constelação Familiar.

  • Foto do escritor: marcelo alonso
    marcelo alonso
  • 4 de jul. de 2022
  • 8 min de leitura

Atualizado: 9 de jun. de 2023

A vida é um processo Sistêmico.

Os processos que ocorrem em um indivíduo e entre ele e seu ambiente são de natureza sistêmica. Isso significa que nosso corpo, sociedade e universo formam um conjunto de sistemas e subsistemas ecológicos, interagindo entre si e influenciando-se mutuamente. É impossível isolar completamente qualquer parte do sistema do todo. As pessoas estão em constante influência umas sobre as outras. As interações pessoais formam circuitos de retroalimentação, de modo que uma pessoa é afetada pelo impacto que suas próprias ações têm sobre os outros. Os sistemas são "auto-organizadores" e naturalmente buscam equilíbrio e estabilidade. Não existem fracassos, apenas resultados que se ajustam ou não ao que buscamos alcançar. Nenhuma resposta, experiência ou comportamento possui significado isolado do contexto em que ocorrem e do contexto das respostas que evocam. Qualquer comportamento, experiência ou resposta pode servir como recurso ou limitação, dependendo de como se encaixam no restante do sistema. Nem todas as interações em um sistema ocorrem no mesmo nível. O que é considerado positivo em um determinado nível pode ser negativo em outro. É útil separar os comportamentos do "eu", ou seja, separar a intenção positiva, a função e as crenças que geram um determinado comportamento, do próprio comportamento em si. Em algum nível, todo comportamento é (ou em algum momento foi) "bem-intencionado". Ele é percebido como apropriado, dado o contexto em que ocorreu e a partir do ponto de vista da pessoa que o manifestou. É mais fácil e produtivo responder à intenção por trás do comportamento problemático do que à expressão desse comportamento.


Ressonância Morfogenética de Rupert Sheldrake

Havia um arquipélago no Pacífico povoado apenas por macacos. Eles se alimentavam de batatas, que tiravam da terra. Um dia, não se sabe por que, um desses macacos lavou a batata antes de comer, o que melhorou o sabor do alimento. Os outros o observaram, intrigados, e aos poucos começaram a imitá-lo. Quando o centésimo macaco lavou a sua batata, todos os macacos das outras ilhas começaram a lavar suas batatas antes de comer. E entre as ilhas não havia nenhuma comunicação aparente.

Essa história (fictícia) exemplifica uma teoria criada pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, denominada teoria dos campos morfogenéticos, que ajuda a compreender como os organismos adotam as suas formas e comportamentos característicos. Morfo vem da palavra grega morphe, que significa forma. Rupert Sheldrake estudou Ciências Naturais no Clare College da Universidade de Cambridge; e filosofia e história da ciência como membro da Frank Knox, em Harvard. Voltando a Cambridge, ele obteve o seu doutorado em bioquímica e biologia celular.

Em Cambridge, Rupert era membro da Sociedade Real, fazendo pesquisas com desenvolvimento de plantas e envelhecimento celular. Trabalhou em Hayderabad, na Índia, de 1974 a 1978, no Crop Research Institute for Semi-Arid Tropics, em fisiologia de produção de leguminosas.

No seu livro Uma Nova Ciência da Vida, Sheldrake toma posições na corrente organicista ou holística clássica, sustentadas por nomes como Ludwig von Bertalanffy e a sua Teoria Geral de Sistemas, ou E.S. Russell, para questionar de um modo definitivo a visão mecanicista, que explica qualquer comportamento dos seres vivos mediante o estudo de suas partes constituintes e sua posterior redução para as leis químicas e físicas.


O que é um campo morfogenético?

Os campos morfogenéticos, ou campos mórficos, são campos de forma; campos padrões ou estruturas de ordem. Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos, mas também de cristais e moléculas. Eles levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo, sem perda alguma de intensidade depois de terem sido criados.

Campos morfogenéticos são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente. “A teoria da causação formativa é centrada em como as coisas tomam formas ou padrões de organização. Desse modo, cobre a formação das galáxias, átomos, cristais, moléculas, plantas, animais, células, sociedades. Cobre todas as coisas que têm formas, padrões, estruturas ou propriedades auto-organizadas. Todas essas coisas são organizadas por si mesmas”. Um átomo não tem que ser criado por algum agente externo, ele se organiza sozinho. Uma molécula e um cristal não são organizados pelos seres humanos peça por peça, mas se cristalizam espontaneamente.

Os animais crescem espontaneamente. Todas estas coisas são diferentes das máquinas, que são artificialmente montadas pelos seres humanos. A teoria dos campos morfogenéticos trata sistemas naturais auto-organizados e a origem das formas.

Diz Sheldrake:

“Assumo que a causa das formas é a influência de campos organizacionais, campos formativos que eu chamo de campos mórficos. A característica principal é que a forma das sociedades, ideias, cristais e moléculas dependem do modo em que tipos semelhantes foram organizados no passado. Há uma espécie de memória integrada nos campos mórficos de cada coisa organizada”.

“Concebo as regularidades da natureza como hábitos, mais que por coisas governadas por leis matemáticas eternas que existem de algum modo fora da natureza. (...) O código genético inscrito no DNA coordena a síntese das proteínas, determinando a sequência exata dos aminoácidos na construção dessas macromoléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto.”

“A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos nos organismos não estão programadas no código genético. Dados os genes corretos e, portanto, as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente."

Para Sheldrake, os organismos vivos não herdam apenas os genes, mas também os campos mórficos. Os genes são recebidos materialmente dos antepassados, e permitem elaborar certos tipos de moléculas proteicas; os campos mórficos são herdados de um modo não-material, por meio da ressonância mórfica, não somente dos antepassados diretos, mas também dos demais membros da espécie.

“As mutações genéticas podem afetar este processo de sintonia e a capacidade do organismo para se desenvolver sob a influência dos campos, assim como as mudanças de condensadores ou outros componentes de um televisor podem afetar sua sintonização com um canal privado ou a recepção dos programas; é possível que a imagem ou som sejam recebidos de forma distorcida. Mas, o fato de os componentes mudados poderem afetar as imagens e o som produzidos pelo receptor de televisão não demonstra que os programas televisivos estejam incorporados nos componentes do equipamento e sejam gerados dentro dele. De modo análogo, as mutações genéticas podem afetar a forma e a conduta dos organismos, mas isto não demonstra que a forma e conduta destes organismos estão programas nos genes.”


Como funcionam os Campos Morfogenéticos?

Os campos morfogenéticos agem sobre a matéria impondo padrões restritivos em processos de energia cujos resultados são incertos ou probabilísticos. Por exemplo, dentro de um determinado sistema, um processo físico-químico pode seguir diversos caminhos possíveis. O que o sistema faz para optar para um deles? Do ponto de vista mecânico, esta eleição estaria em função de diferentes variáveis físico-químicas que influenciam no sistema: temperatura, pressão, substâncias presentes, polaridade etc. cuja combinação decantaria o processo para um certo caminho.

Se fosse possível controlar todas as variáveis em jogo, você poderia predizer o resultado final do processo. Porém, não acontece desse modo; o resultado final está sujeito ao acaso probabilístico, algo quantificável só por meio de análise estatística. Muito bem, o Campo Morfogenético relacionado com o sistema reduzirá consideravelmente a amplitude probabilística do processo, levando o resultado em uma direção determinada.

"Os Campos Mórficos funcionam, tal como eu explico em meu livro A Presença do Passado, modificando eventos probabilísticos. Quase toda a natureza é inerentemente caótica. Não é rigidamente determinada. A dinâmica das ondas, os padrões atmosféricos, o fluxo turbulento dos fluidos, o comportamento da chuva, todas estas coisas são corretamente incertas, como são os eventos quânticos na teoria quântica. Com o declínio do átomo de urânio você não é capaz de predizer se o átomo declinará hoje ou nos próximos 50.000 anos. É meramente estatístico, Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de uma grande aleatoriedade, de algum modo eles enfocam isto, de forma que certas coisas acontecem em vez de outras. É deste modo como eu acredito que eles funcionam”.


De onde vêm os Campos Morfogenéticos?

Um campo morfogenético não é uma estrutura inalterável, mas muda ao mesmo tempo em que muda o sistema com o qual está associado. O campo morfogenético de uma samambaia tem a mesma estrutura que os campos morfogenéticos de samambaias anteriores do mesmo tipo. Os campos morfogenéticos de todos os sistemas passados se fazem presentes para sistemas semelhantes e influenciam neles de forma acumulativa através do espaço e do tempo.

A palavra-chave aqui é "hábito", sendo o fator que origina os campos morfogenéticos. Por meio dos hábitos, os campos morfogenéticos vão variando sua estrutura, causando desse modo às mudanças estruturais dos sistemas aos quais estão associados. Por exemplo, em uma floresta de coníferas é gerado o hábito de estender as raízes a mais profundidade para absorver mais nutrientes. O campo morfogenético da coníferas assimila e armazena esta informação, que é herdada não só por exemplares no seu entorno, assim como em florestas de coníferas em todo o planeta. O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de ressonância mórfica. Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva.

Depois de muitos anos de estudo e pesquisa, chegou-se à conclusão de que a chave desse mistério estaria numa espécie de memória coletiva e inconsciente que faz com que formas e hábitos sejam transmitidos de geração para geração. O campo morfogenético seria uma região de influência que atua dentro e em torno de todo organismo vivo. Algo parecido com o campo eletromagnético que existe em volta dos ímãs.

Para o cientista, cada grupo de animais, plantas, pássaros etc. está cercado por uma espécie de campo invisível que contém uma memória, e que cada animal usa a memória de todos os outros animais da sua espécie. Esses campos são o meio pelo qual os hábitos de cada espécie se formam, se mantêm e se repetem. No exemplo dos macacos, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie. Os seres humanos também têm uma memória comum. É o que Jung chamou de inconsciente coletivo.



Para o nosso entendimento de processos psíquicos, a vivência de constelações é de fato desafiante. Até mesmo consteladores experientes se surpreendem sempre com o que nelas observam e experimentam. Como é possível que os representantes se sintam, falem e apresentem sintomas como os membros da família, embora não os conheçam e disponham de pouca ou nenhuma informação sobre eles? Para esse fenômeno ainda não temos explicação, muito menos uma explicação científica. Mas nos espantamos, descrevemos os processos e procuramos, às vezes, imagens ou modelos que os façam aparecer como compreensíveis e comunicáveis, sem postular explicações precipitadas.

Talvez a explicação mais simples seria está: o cliente exterioriza sua imagem interna, e a posição dos representantes reproduz uma certa estrutura de relacionamento que está arquivada em nosso aparelho de percepção, com sua respectiva dinâmica. Mas como se explica que os representantes sintam coisas tão diversas em constelações de configurações semelhantes ou mesmo idênticas? Por que razão surgem nas constelações processos que tocam emocionalmente o cliente e fazem sentido para ele, mesmo quando o terapeuta escolhe e coloca os representantes, ou quando se coloca apenas uma pessoa (para não falar das chamadas “constelações invisíveis”)?

A teoria dos campos morfogenéticos, de Ruppert Sheldrake, é bem aceita entre os círculos de consteladores. Entretanto, mesmo ela, só nos fornece até o momento uma explicação de caráter mais metafórico. Mas a falta de uma explicação científica para um fenômeno observável não prova a inexistência desse fenômeno.

As observações de uma “participação psíquica” para além das informações comunicadas são tão numerosas e tão independentes da experimentação dos consteladores individuais que também pode ser útil a observação atenta de pessoas externas à “cena”.




 
 
 

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